Pasmado - #14<
17 de junho de 2026
Murilo Mendes
Tio Chicó, doido manso, é a presença mais divertida de Idade do Serrote, saboroso livro de memórias de Murilo Mendes (1901-1975), um dos maiores poetas brasileiros. Discorrendo sobre doidos Murilo ressalta nuances para definir esta variada linhagem que vai de desequilibrados a zuretas. Cita o doido varrido e inventa a tipologia do doido por varrer. Falar nisso, o elenco de doidos por varrer só faz crescer e alguns deles se exibem diariamente. Apesar de atestados psiquiátricos, ainda não chegaram os enfermeiros para levar o que despacha no Salão Oval da Casa Branca.
Davi Arrigucci Jr., Augusto Massi e Murilo Marcondes de Moura escreveram tudo de importante sobre Murilo na edição da Poesia Completa publicada ano passado pela Companhia das Letras.
Na Microdefinição do autor, publicada pela primeira vez nos anos 1940, Murilo faz em prosa poética um inventário dos motivos de por que escrevia. Seguem alguns trechos:
Sinto-me compelido ao trabalho literário:
...pelo desejo de suprir lacunas da vida real;...pelo meu não-reconhecimento da fronteira realidade-irrealidade;...por ter visto Nijinski dançar;...pelo meu ódio físico-cerebral ao fascismo, ao nazismo e suas ramificações; ...porque dentro de mim discutem um mineiro, um grego, um hebreu, um cristão péssimo, relaxado, um socialista amador;...pela tendência de preferir Aliocha a Ivan e Dimitri Karamazov;...por julgar os textos tão importantes como os testículos; ...porque temo o dilúvio de excrementos, a bomba atômica, a desagregação das galáxias, a explosão da vesícula divina, o julgamento universal;...porque através do lirismo propendo à geometria.
O Murilo personagem rendeu histórias. O rio que passava dentro dele era o Paraibuna, que atravessa Juiz de Fora, Minas Gerais, onde nasceu. Murilo geria só para ele uma confraria fluvial. Em Roma proclamava em voz alta: Tibre, o Paraibuna te saúda! Em Paris o Paraibuna cumprimentava o Sena. E assim por diante. Reagiu a lendas a seu respeito com humor poético. A versão que circula de mim pelas ruas/ foi feita sem meu consentimento, são os primeiros versos do poema Meu Duplo. (Flavio Pinheiro)
(*) O retrato está no Museu de Arte Murilo Mendes, inaugurado em 2005 em Juiz de Fora, Minas Gerais.
Claudius
Claudius estudava Arquitetura em 1957 quando publicou seu primeiro cartum no Jornal do Brasil. Desde então seu refinado traço inteligente, irônico e incisivo esteve presente em charges políticas publicadas nos principais jornais e revistas do país. Peregrinou por muitas redações: Estadão, Folha de S.Paulo, Diário Carioca, Correio da Manhã, Senhor, Brasil Urgente, Pif Paf, Pasquim, Caros Amigos e Manchete. Como bolsista e refugiado político zanzou pelo mundo com escalas na Itália, Holanda, Suíça e Estados Unidos. Os desenhos que sobreviveram a tantos percursos foram doados ao Instituto Moreira Moreira Salles que exporá parte deles no IMS São Paulo em 2027. É muito, mas ainda é pouco. Nas quase sete décadas de trabalho, quatro foram dedicadas a criar projetos. Após 21 de ditadura convidou Paulo Freire, Eduardo Coutinho, Ana Maria Machado e Ennio Candotti a fundar junto com ele o Centro de Criação de Imagem Popular (Cecip), organização sem fins lucrativos. A missão era criar projetos para democratizar o acesso a informação e fortalecer a participação da sociedade em políticas públicas. Ou seja, Claudius também é uma instituição. A partir desta edição Claudius passa a fazer parte do time de colaboradores fixos do Pasmado. É muitíssimo bem-vindo.
Tutty Vasques
O Craque Honoris Causa
Se tal honraria acadêmica de repente for criada no futebol, Ronaldinho Gaúcho deve ser o primeiro agraciado com a distinção de ‘Craque Honoris Causa’ pela notável contribuição que tem prestado nesta Copa ao savoir vivre no meio esportivo. Não é de hoje que ‘O Bruxo’ vem desenvolvendo uma maneira única de estar nesse mundo. Um maluco beleza estiloso, boêmio, muito suscinto, meio enigmático, pouco previsível e totalmente em paz com a situação elegante ou bizarra que o cerca. Por onde passa, Ronaldinho vai empilhando experiências, amigos e dinheiro com a mesma alegria, prazer e naturalidade do tempo em que fazia mágica com a bola. No papel de gênio aposentado, ele driblou o destino óbvio de ex-jogador-comentarista com aparições públicas inusitadas em eventos de moda, música, cinema, feiras modernas, comercial de TV no Japão, prisão no Paraguai... O roteiro de Ronaldinho Gaúcho parece letra do Djavan! Agora mesmo, a Globo nomeou o ‘samurai’ de Porto Alegre ‘embaixador do rolê aleatório’. Paga – e bem – para ele se divertir sendo tietado por torcedores, celebridades e jornalistas em visitas relâmpago a estádios da Fifa e estúdios da emissora nos três países-sede do evento. Momentos antes da estreia apagada do futebol brasileiro contra Marrocos, ainda a caminho do MetLife Stadium de Nova Jersey, Ronaldinho iluminou encontros divertidos e carinhosos com o cantor Seu Jorge e o craque francês Pogba, que lhe renderam homenagens de ídolo. Não é nada, não é nada, é o que temos por ora para celebrar.
Diário da Copa:
COPA E COISINHA Seguindo o exemplo da Bhrama, que promete cerveja de graça se vier o hexa, o CV cogita distribuir maconha na comemoração.
SUJOU A Copa do Mundo não acontece em boa hora para autoridades brasileiras: a esta altura do campeonato, pegaria super mal fazer um bate e volta nos EUA em jatinho de empresário.
MAL COMPARANDO Que Deus me perdoe, mas a Fifa de Gianni Infantino nos faz sentir saudades do João Havelange.
DESNECESSÁRIO Show de abertura de Copa do Mundo (foto abaixo) talvez seja, na história recente do futebol, o momento mais constrangedor do esporte. Deviam evitar pelo menos as apresentações de cantoras pop, rappers e tenores italianos nessas ocasiões.
FAKE NEWS Lula não cogitou indicar para ministro do STF o juiz somali barrado na Copa e deportado pelos EUA;
PROVA CABAL Enfim, uma boa notícia que chega de Brasília: ‘Família de pessoas com seis dedos no DF garante que o hexa está na mão.’
LICENÇA PATERNIDADE No dia em que ia começar a treinar com bola, Neymar soube que vai ser papai de novo!
Duane Michals
Duane Michals, admirável fotógrafo americano, morreu no dia 9 de junho aos 94 anos. Começou a fotografar em 1958 e promoveu inovações. Era devoto do preto e branco. Produziu séries que ficaram famosas como O espírito deixa o corpo da primeira imagem desta galeria. A fotografia documental era insuficiente para ele. Suas ambições narrativas tinham distintas inspirações artísticas. Foi influenciado pelo surrealismo de René Magritte e de Joseph Cornell, mas também pela imaginação de Wassily Kandisnky. Por isso implicava abertamente com as imagens tecnicamente impecáveis de amplidões da natureza registradas por Ansell Adams. Publicou 25 livros. Fez exposições marcantes. Renovou o retrato privilegiando às vezes distorções e devassou intimidades com delicadeza. A alguns dos retratos adicionou legendas manuscritas, uma de suas marcas distintivas. Tinha um repertório peculiar de fabulações. Sua altivez não cabia em armários. Era gay. Em 2011 casou-se formalmente com o arquiteto Frederik Gorré que durante 50 anos dividiu com ele um apartamento em Manhattan. Gorré morreu em 2017. (Flavio Pinheiro)






Forró do Pasmado, para ouvir e dançar. Não há forró sem o gênio de Luiz Gonzaga e sua sanfona. É dele Óia eu aqui de novo, cantada por Gil. Gonzaga e seu vozeirão animam o forró safadinho de Tá Danado de Bom. E Seu Lua ainda divide com Gal o Forró nª 1, música de Cecéu. Em Isso Aqui Tá Bom Demais, de Dominguinhos e Nando Cordel, Chico faz dueto com Dominguinhos num forró animado. Forró em Limoeiro é Dominguinhos de novo, agora com Marinês, cantando um sucesso de Jackson do Pandeiro. Feira de Mangaio é de Sivuca na voz de Clara Nunes. Ney Matogrosso canta Homem Com H, de Antônio Barros, por sinal marido de Cecéu. Bethânia interpreta São João Xangô Menino de Caetano e Gil. A lista fecha com Noites de junho clássico junino de Braguinha na voz de Elba Ramalho.
Expediente
Editor: Flavio Pinheiro
Colaboradores: Loredano, Dedé Laurentino, Léo Martins, Claudius, Tutty Vasques, Alfredo Ribeiro e quem mais chegar.
Nesta edição: Guignard, Duane Michals
Logomarcas: Dedé Laurentino
Design da página: Roberto Caldas











Murilo Mendes me emociona, obrigada!
Gosto bastante do Pasmado q quero publicar aí.
Tem espaço ou não en quer i aí
Não caibo + em mim
Preciso taí
Posso fazer uma charge e/ou tira por semana.
Não tenho portfolio online,infelizmente
Mais (poucos0detalhes no meu Facebook:José Aparecido Ramos
Vão lá e me põe ai...no Pasmado.